headerphoto

HISTÓRIAS DA PARAÍBA - Av. Almirante de Tamandaré - uma av. de muitos nomes

04/06/2008

Avenida Almirante Tamandaré

Uma avenida de muitos nomes

 

 

Edival Toscano Varandas*

edvarandas@yahoo.com.br

.

Considerada uma das mais antigas ruas da praia de Tambaú, a Avenida Almirante Tamandaré conglomera uma enorme quantidade de nomes em sua história. No início, quando Tambaú ainda não havia adquirido maior significado como logradouro público, era conhecida como Rua da Praia ou Rua da Frente. Todavia, sua primeira designação oficial data de 14 de dezembro de 1921, quando foi batizada como Avenida Antônio Mendes Ribeiro. E foi com essa denominação que Antônio Bôtto de Menezes, em festa popular com aposição de placa e folguedos, exaltou as qualidades do tribuno Antônio Mendes Ribeiro, destacando os méritos de suas atividades como político e líder das chamadas classes conservadoras.

Poucos anos mais tarde, quando o Dr. João Maurício de Medeiros exercia o cargo de prefeito municipal da Parahyba (hoje, João Pessoa), em 30 de dezembro de 1927, este denominou a avenida com seu nome; ou seja, Avenida João Maurício de Medeiros. E no outro dia, ao raiar o ano de 1928, Tambaú teve seu primeiro Revéillon, quando a população parahybana festejava o ato inaugural da sua iluminação elétrica, notável empreendimento realizado pelo prefeito João Maurício de Medeiros. Durante a solenidade, o prefeito foi saudado pelo Dr. José Gaudêncio Correia de Queiroz e o Dr. Olívio Pinto, em nome da Empresa Tração, Luz e Força (E.T.L. y F.), que agradeceu o comparecimento de todos que prestigiaram o evento.

A alegria do ano novo contagiou os presentes da Villa Dorita, repleto de convidados dos familiares do casal Basílio Pordeus e Dorita Pessoa. Outras residências praieiras como as das famílias Carneiro da Cunha, Férrer, D’Ávila Lins, Batista Brandão, Paiva, Toscano, Veloso Borges, Sá, Cavalcante, Záccara também participaram das comemorações.

Trecho do antigo Tambaú, em 1935, na confluência com a Avenida Epitácio Pessoa: nota-se, à esquerda, uma das residências mais antigas de Tambaú, portando, em seu frontispício, a denominação “Villa Dorita”, início da Avenida Almirante Tamandaré

 

[ FONTE: LEITÃO, Deusdedit. Ruas de Tambaú. João Pessoa: DPG, 1998, p.49. ]

 

 

 

A mesma foto de 1935, em 2008, mostrando o início da Avenida Almirante Tamandaré. A residência à esquerda (“Villa Dorita”), é hoje a Choperia Filipéia

 

[ FONTE: VARANDAS, Edival Toscano. Acervo pessoal. ]

 

Antes do desenvolvimento urbano que alcançou a faixa litorânea, todo o trecho que vai do início do Cabo Branco até a praia de Manaíra era denominado de Tambaú, compondo o distrito de igual nome, criado pela Lei nº 2.638, de 20 de dezembro de 1961. Permaneceu como vila e sede do distrito até a vigência da atual Constituição do Estado que, pelo Art. 65, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, revogou a lei de sua criação, integrando-o à zona suburbana da capital.

Com o desenvolvimento de Tambaú como praia predileta da população pessoense, a Avenida João Maurício de Medeiros passou a ter a denominação de Avenida Almirante Tamandaré, numa justa homenagem ao Herói Nacional e Patrono da Marinha do Brasil, assinalada pela inauguração a 13 de dezembro de 1953, do busto daquela grande figura da história pátria, em solenidade realizada no início da avenida (confluência das avenidas Epitácio Pessoa e Cabo Branco). A solenidade contou com a participação  do jornalista Antônio Bôtto de Menezes, que falou em nome da Academia Paraibana de Letras.

De costas para o mar, o busto de Tamandaré é um convite para o deleite das águas cristalinas da praia de Tambaú

 

[ FONTE: VARANDAS, Edival Toscano. Acervo pessoal. ]

 

A Avenida Almirante Tamandaré não é uma grande avenida; inicia-se quando a Avenida Epitácio Pessoa chega à praia e termina na Avenida Ruy Carneiro. De pequeno tamanho, com pouco mais de quinhentos metros, todavia, é considerado o chão mais caro do território paraibano.

Numa foto de satélite, a linha amarela revela o pequeno trajeto da Avenida Almirante Tamandaré

 

[ FONTE: http://earth.google.com/intl/pt/. ]

 

No setor de moradia, atualmente a Avenida Almirante Tamandaré possui apenas 14 sobrados, 3 casas e 10 edifícios, estes últimos, compostos de 3 andares, devido a uma Lei estadual que não permite espigões à beira-mar. O restante dos imóveis são casas e sobrados servindo como pizzaria (1), academia (1), sorveterias (2), pousada (1), restaurantes (3), imobiliárias (2), lanchonetes (2), cabeleireiro (1), choperia (1), loja de confecção (1) e hotéis (9).

Completa a relação de  imóveis da Avenida Tamandaré 3 terrenos, o espaço da Feirinha Santo Antônio, a Praça Vicente Trevas – Feirinha de Tambaú (em reforma) e o Centro Turístico Tambaú. Do lado da beira-mar, 9 barracas integram a paisagem bucólica da avenida.

Avenida Almirante Tamandaré: sentido Ruy Carneiro / Epitácio Pessoa

 

[FONTE: VARANDAS, Edival Toscano. Acervo pessoal. ]

 

 

Bem próximo à Avenida Ruy Carneiro, local onde hoje é erguido o Centro Turístico Tambaú, existia a residência de veraneio do Dr. Izidro Gomes da Silva e em janeiro de 1941, o Interventor Ruy Carneiro instalou nessa residência a Colônia de Férias Presidente João Pessoa, destinada a estudantes da rede do ensino primário do governo estadual. Em 5 de abril de 1948, o Governador Oswaldo Trigueiro criou na mesma residência o Grupo Escolar Presidente João Pessoa, determinando o aproveitamento do prédio da Colônia de Férias para sua instalação. Somente em 3 de agosto de 1988, o então Governador Tarcísio de Miranda Burity construiu naquele local o Centro Turístico Tambaú.

Centro Turístico Tambaú onde outrora foi a residência do Dr. Izidro Gomes da Silva

 

[FONTE: VARANDAS, Edival Toscano. Acervo pessoal. ]

 

 

Nas proximidades da Avenida Olinda, em frente à Feirinha Santo Antônio (Feirinha de Tambaú), foi erguido o majestoso Hotel Tambaú, a 6 de março de 1971. Nesse mesmo prédio, seis meses depois, o Governador Ernani Sátyro empreendeu alguns trabalhos complementares e indispensáveis à estrutura do hotel e, a 11 de setembro de 1971, presidiu a solenidade de uma nova inauguração do prédio, com a colocação de uma placa alusiva ao evento, despertando a curiosidade dos visitantes que se deparavam com duas placas de inauguração para um mesmo prédio.

Posteriormente, a Secretaria dos Transportes, Comunicação e Obras do Governo do Estado, através da SUPLAN, substituíram as duas placas de inauguração do Hotel Tambaú por uma só, aludindo sua construção ao Governador João Agripino e sua inauguração ao Governador Ernani Sátyro.

 

Hotel Tambaú, em foto de 1972, ainda sem a construção de suas quadras poliesportivas

 

[FONTE: GOVERNO do Estado da Paraíba, 1972. ]

 

 

 

Placa alusiva a construção e inauguração do Hotel Tambaú

 

[FONTE: VARANDAS, Edival Toscano. Acervo pessoal. ]

  

Servindo como palco para o passeio, o caminhar, as festas carnavalescas, apresentações de bandas, o encontro dos namorados, as conversas políticas, as competições esportivas, fazem da Avenida Almirante Tamandaré o centro das atenções da população pessoense.

Calçadinha da Avenida Almirante Tamandaré: dos passeios noturnos às badaladas dos bares da orla

 

[FONTE: VARANDAS, Edival Toscano. Acervo pessoal. ]

 O ALMIRANTE TAMANDARÉ

Almirante Tamandaré – Herói da Guerra do Paraguai e Patrono da Marinha de Guerra Brasileira

 

[FONTE: http:/www.bairrodocatete.com.br/almirantetamandare.jpg. ]

 

Marquês Joaquim Marques Lisboa, este gaúcho de São José do Norte, nasceu no Rio Grande do Sul, em 1807. Era filho de Francisco Marques Lisboa e Eufrásia Joaquina de Azevedo Lima, ambos naturais de São José do Norte. Aos quinze anos de idade, alistou-se como voluntário na Marinha do Brasil, onde iniciou carreira como praticante de piloto na fragata Niterói, sob o comando de John Taylor. Neste posto tomou parte em vários combates navais no litoral do sertão da então Província da Bahia, inclusive na perseguição à força naval portuguesa que se retirava em 1823, até quase à altura das costas de Portugal.

Em 1825, durante a Guerra da Cisplatina (1825-1828) – em que as Províncias Unidas do Rio da Prata pretendiam anexar a Província Cisplatina, então pertencente ao Império do Brasil – Tamandaré, como tenente, se destacou em muitos combates pela liderança e coragem. Capturado com outros brasileiros, arrebatou ao inimigo o navio de guerra que os levava prisioneiros, assumindo o seu comando aos 18 anos de idade.

Aos vintes anos de idade, no comando da escuna “Bela Maria”, depois de travar combate de artilharia com um navio argentino e vencendo, demonstrou o seu espírito humanitário com o inimigo, o que lhe valeu o reconhecimento dos vencidos (1827).

Em 1840 já era Capitão-de-Fragata e, em 1847, Capitão de Mar-e-Guerra.

Em 1848 recebeu, na Grã-Betanha, a fragata D. Afonso, primeiro navio misto – à vela e a vapor – de grande porte da Armada brasileira. Durante esse comando, tendo a bordo o príncipe de Joinville, os duques de Aumale e o chefe da esquadra almirante John Grenfell, teve a oportunidade de socorrer o navio “Ocean Monarch”, incendiado próximo ao porto de Liverpool, resgatando mais de cem pessoas. Em 6 de março de 1850 socorre a nau “Vasco da Gama”, perdida e avariada ao largo da barra do Rio de Janeiro, depois de uma forte tempestade...

 

Nota do autor: Descrever as inúmeras façanhas do Almirante Tamandaré tornaria extenso este artigo sobre a Avenida Almirante Tamandaré, onde sugiro aos interessados conhecerem mais um pouco da biografia deste grande patriota brasileiro no site:

http://www.jornaloimparcial.com.br/pagina_indice.asp?iditem=355

 

FONTE: Texto baseado em: LEITÃO, Deusdedit. Ruas de Tambaú. João Pessoa: DPG, 1998; Almirante Tamandaré. Avaliable from World Wide Web: URL: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Marques_Lisboa>. Acessado em: 14 de mai. 2008; Almirante Tamandaré. Avaliable World Wide Web: URL: <http://www.bairrodocetete.com.br/almirantetamandare.jpg>.

 

* Doutor pela UPE. Pesquisador.

 

SOBRE A REPRODUÇÃO DO PRESENTE TRABALHO

 

Fica proibida a reprodução e/ou impressão total ou parcial do conteúdo deste artigo para fins comerciais. Quaisquer dos parágrafos pertencentes ao conteúdo deste artigo somente poderão ser utilizados comercialmente por terceiros mediante expressa autorização escrita de seu autor.

Ficam também proibidos o armazenamento eletrônico, transmissão ou publicação, sem autorização por escrito do responsável.

Imagens, diagramas ou o lay-out presente em qualquer das páginas deste artigo não poderão ser reproduzidos.

A transcrição na íntegra de um ou mais parágrafos do artigo “Avenida Almirante Tamandaré. Uma avenida de muitos nomes” está condicionada à autorização do autor do respectivo artigo.

A reprodução de pequenos trechos do artigo para fins de reprodução na imprensa, de notícia ou artigo informativo, para uso privado do copista ou a citação em livros, jornais, revistas, trabalhos escolares etc., para fins de estudo, crítica ou polêmica, ou nos demais casos do artigo 46º da Nova Lei Autoral, e sempre sem intuito de lucro, são permitidas, mesmo sem a autorização do autor do presente artigo, desde que mencionada a fonte, conforme exemplo abaixo:

 

Material impresso: nos casos de referências, sugere-se o modelo a seguir:

 

VARANDAS, Edival Toscano. Avenida Almirante Tamandaré. Uma avenida de muitos nomes.  Available from World Wide Web: URL: eliezergomes.com/ . Acessado em: data mês abreviado. ano.