Estação Poesia - Poetas do Brasil
02/11/2008
Blog para divulgar poetas brasileiros e estrangeiros que têm participado das atividades do Congresso Brasileiro de Poesia, realizado anualmente na cidade de Bento Gonçalves/RS, sempre na primeira semana de outubro

JUSSÁRA CUSTÓDIO GODINHO — gaúcha com orgulho, nascida em 10 de setembro de 1957, na cidade de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Formada em Licenciatura Plena em Letras - Português e Espanhol, pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Professora do Ensino Fundamental na Rede Municipal de Ensino de Caxias do Sul, durante 6 anos foi assessora pedagógica da Secretaria Municipal da Educação da mesma cidade. O amor pela leitura e pela Literatura sempre ecoou em seu ser, desde os tempos em que ainda era uma menininha magricela de cabelos encaracolados, escondidos numa longa trança feita pelas mãos da D. Maria de Lourdes, a Duda, sua mãe, já falecida. Estudante dedicadíssima, guarda até hoje a Menção Honrosa, recebida em 1969, quando tinha apenas 12 anos de idade, pela participação no Concurso de Redação “Que poderei por minha Pátria?” promovido pela UCS. Tem participação em mais de vinte Antologias Poéticas e Literárias, vários sites. E algumas classificações em Concursos Literários! Dos quase quatrocentos textos entre Poemas, Trovas Literárias, Acrósticos, Crônicas e Frases que produziu, a maioria ainda são inéditos. Acredita que através da Poesia é possível ensinar e aprender com verdade e alegria, deixando a vida fluir, pois a Poesia é a própria Vida! A leitura é meu maior lazer! A escrita, meu maior prazer! É membro da União Brasileira de Trovadores (UBT) Caxias do Sul e da Associação Gaúcha de Escritores (AGES).
Simplicidade
Meu poetar é simples Fácil de interpretar Retrata reais momentos Deixa a vida por ela falar
Meu Poetar é simples Diz muito sem muito explicar Revive os sentimentos Deixa a vida por ela falar
Meu poetar é simples Não pretende impressionar Busca da alma os lamentos Deixa a vida por ela falar
Meu poetar é simples Quer com versos aclamar Do mundo todos os intentos E quer o amor proclamar!
Poetas em frente à Biblioteca das meninas Tainá e Emanuele
POETAS VISITAM BIBLIOTECA COMUNITÁRIA MARIO QUINTANA E FAZEM DOAÇÃO DE IMPRESSORA
Impressionados e emocionados com a atitude das meninas Tainá Tavares e Emanuele Marcon, dez e onze anos de idade, que criaram no porão da casa de uma delas (Tainá) uma biblioteca comunitária no Bairro Universitário, um grupo de poetas pediu para que fosse incluída na programação oficial do XVI Congresso uma visita ao local, seguida de um pequeno recital. Não bastasse a emoção de Tainá e Emanuele em receberem a caravana de poetas em sua biblioteca que já atrai a atenção de diversos municípios do estado gaúcho, a alegria das meninas aumentou ao saberem que eles lá estavam para fazer-lhes a doação de uma moderna impressora (com scanner e xerox) para auxiliá-las na organização de suas atividades. Poetas interessados em fazer doações de livros podem encaminhá-los para o seguinte endereço:
BIBLIOTECA COMUNITÁRIA MARIO QUINTANA Rua Ferrucio Fasolo, 141 Bairro Universitário BENTO GONÇALVES – RS 95700-000
Eunice Pigozzo e Débora Novaes de Castro
DÉBORA NOVAES DE CASTRO FAZ DOAÇÃO DE LIVROS PARA ESCOLAS DE BENTO GONÇALVES
A escritora paulista Débora Novaes de Castro aproveitou sua estada em Bento Gonçalves para fazer a doação de 350 exemplares de alguns dos seus títulos publicados, os quais serão entregues às escolas do município dentro do projeto “Poesia na escola”, desenvolvido pelo Congresso Brasileiro de Poesia em parceria com a Biblioteca Pública Castro Alves. Os exemplares foram entregues à Coordenadora da Biblioteca, Eunice Pigozzo, que os distribuirá às escolas nos próximos dias, juntamente com os exemplares das antologias “Poesia do Brasil” (volumes 7 e 8), “Poeta, mostra a tua cara” (volume 5) e “Poemas à flor da pele”. Durante sua participação no XVI Congresso Brasileiro de Poesia, Débora Novaes de Castro proferiu a palestra “O haicai no Brasil: acolhida e florescimento”.
“Que acontece quando se solta uma mola comprimida, quando se liberta um pássaro, quando se abrem as comportas de uma represa? Veremos...” (Gilberto Gil)
ACONTECE O CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA!
ANDRÉA MOTTA (Curitiba)
Idealizado e comandado por Ademir Antonio Bacca, realizou-se de 06 a 11 de outubro o XVI Congresso Brasileiro de Poesia, em Bento Gonçalves - Rio Grande do Sul. O evento que ultrapassa as fronteiras da Serra Gaúcha reúne poetas, atores, músicos e artistas plásticos dos mais diversos Países e Estados brasileiros e transforma a pacata cidade de Bento Gonçalves no lugar de encontro de todas as vozes, de todos os sonhos e de todos os poetas. Foram dias de intensa celebração cultural, em que o envolvimento da população, em especial dos alunos e professores das redes pública e privada de ensino foi o ponto culminante. O contato direto da comunidade com o movimento literário e poético nacional e internacional, através dos projetos, Poetas nas Escolas, Poesia na Vidraça, Oficinas de Poesia Visual dentre outros proporcionou a todos, momentos de puro êxtase. Momentos de gargalhadas e de lágrimas. De emoção e aplauso. De crianças preocupadas com o amanhã literário, como Tainá e Emanuelle, ambas com 11 anos, que na raça fundaram a mais nova biblioteca do Rio Grande do Sul – a Biblioteca Comunitária Mário Quintana. Momentos de talento e mais talento, de tanta beleza, de pássaros livres e comportas abertas. Indiscutivelmente é desta troca de experiências que surge a inspiração, o novo. E apesar de todas as dificuldades, de tantas vozes contrárias à difusão da Poesia, vemos esta a cada dia mais viva. O Congresso Brasileiro de Poesia, a cidade de Bento Gonçalves e o guerreiro Ademir Bacca são a prova disto. Parafraseando Ronaldo Werneck, digo: “Eu volto. Voltamos todos no ano que vem, num só (as)salto poético, num só vôo – aves, aves! – sobre as serras e ruas de Bento Gonçalves”.
Jairo Klein durante o recital "Outros eus"
XVI CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA CONFIRMOU TRADIÇÃO DE MAIOR ENCONTRO DE POETAS DO PAÍS
Como tradicionalmente acontece na primeira semana de outubro, mais uma vez a cidade de Bento Gonçalves abriu suas portas para a caravana de poetas que participaram da décima-sexta edição do Congresso Brasileiro de Poesia, realizada entre os dias 6 e 11. Tendo como tema “120 anos de Fernando Pessoa: tudo vale a pena!”, mais de duzentos poetas dos mais diversos estados brasileiros e de alguns países da América do Sul marcaam presença e participaram de uma programação diversificada com muitos recitais, performances, rodas de poesia, espetáculos teatrais, palestras nas escolas e debates sobre as diversas formas do fazer poético. A novidade na programação deste ano foi a realização de um encontro literário em homenagem ao poeta português Fernando Pessoa, destinado a alunos e professores, que contou com a participação de Jairo Klein, Jane Tutikian, Karina Duarte, Grupo Poesia Simplesmente, Luiz Edmundo Alves e Joaquim Palmeira. Esta atividade aconteceu nas manhãs dos dias 8 e 9, no auditório do SESC. Trinta e cinco escolas do município participaram do evento deste ano, recebendo os poetas em suas dependências e doze delas deslocaram alunos para participarem de atividades que aconteceram nas dependências do SESC. Os poetas também foram ao Presídio Municipal, APAE, Centro de Atenção Psico-Social e ao Hospital Tacchini. Os principais projetos que tradicionalmente compõem a programação oficial do evento mais uma vez destacaramm-se, entre eles o “Poesia na vidraça”, que consiste na utilização das vitrines das lojas do centro da cidade para exposição de poemas de autores brasileiros, “Poesia numa hora dessas?” (quando poetas apresentaram recitais em repartições públicas e privadas), “Uma idéia tece a outra” (realizado na Biblioteca Municipal e que consiste no ‘empréstimo’ de um poeta a uma turma de alunos), além das tradicionais rodas de poesia na Via del Vino.
RECITAIS FIZERAM A DIFERENÇA
Os organizadores mais uma vez apostaram na realização de recitais de diversas correntes poéticas para garantir o sucesso do evento. Neste ano, dividiram o palco do SESC e de algumas escolas performances poéticos dos estados do Amapá, Pará, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, além de Peru, Chile, Argentina e Uruguai. Embora Fernando Pessoa tenha sido o personagem principal do evento deste ano, o escritor Machado de Assis também foi homenageado, com a apresentação do espetáculo “Machado de Assis, cem anos sem”, que o grupo carioca Poesia Simplesmente encenou nos dias 6 e 10, no palco do SESC. Junto com o XVI Congresso Brasileiro também foram realizados o XVI Encontro Latino-Americano de Casas de Poetas e a XIII Mostra Internacional de Poesia Visual. A abertura oficial dos eventos aconteceu na tarde de segunda-feira, dia 6, às 17 horas, no Salão Nobre da Prefeitura Municipal. Às 19,30 horas, no Auditório da Escola Gen. Bento Gonçalves da Silva, foram realizados os recitais “Torre de Babel” e “A Voz dos Povos”. O encerramento aconteceu no Auditório do CEFET, onde aconteceu o recital “Todas as Vozes”. No sábado, a intensa chuva que caiu sobre a Capital Brasileira do Vinho impediu que os poetas plantassem a tradicional pitangueira e a árvore dos povos, as quais foram plantadas posteriormente pelos organizadores do evento e técnicos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, na Praça Vico Barbieri. O evento é promovido pela Prefeitura Municipal de Bento Gonçalves, SESC e Proyecto Cultural Sur/Brasil. As fotos do XVI Congresso Brasileiro de Poesia – também das últimas edições, podem ser vistas no seguinte endereço
http://picasaweb.google.com.br/home?tab=mq
PROJETO LIVRO NA ESCOLA EM CAMAQUÃ
CLÁUDIA GONÇALVES
A cidade de Camaquã realizou recentemente a semana da poesia, evento que me surpreendeu positivamente. Na verdade acho que eu não esperava tanta cumplicidade entre poetas, Secretaria de Educação e escolas. O Proyecto Cultural Sur/Brasil (Projeto Livro na Escola) participou com sua proposta de levar a poesia para a sala de aula, tendo o importante apoio da Casa do Poeta Camaqüense (CAPOCAM), através de sua Presidenta Erotildes Citrini, de seu vice Onélio Lopes Chagas, do jornalista, poeta e ativista cultural Catulo Fernandes e da artesã Guel Fernandes. Não só foi feita a doação de livros em cinco escolas municipais, sendo duas na zona rural, como foi possível interagir com os alunos, onde fizemos rodas de poesia, desafios premiados com livros e versos recitados por poetas, alunos e professores. Enfim, é muito gratificante saber que a poesia está sendo trabalhada nas escolas daquele município quase como uma disciplina. A Escola Rui Barbosa, na zona rural, é um bom exemplo. Este ano realizará seu 5º Recital de Poesia. São alunos começando através da poesia o hábito saudável da leitura. Longa vida ao projeto de Camaquã. E que o livro seja o amigo inseparável dos alunos desta bela cidade.
“Oh! Bendito o que semeia livros, livros a mão cheia...”
Catulo Fernandes
Os versos do poeta Castro Alves que dão título a este texto retratam com precisão a importância de quem escreve e daquele que oportuniza o contato com a literatura. Com este propósito de estimular a leitura o Proyecto Cultural Sur/Brasil iniciou uma parceria com a Casa do Poeta de Camaquã (CAPOCAM), durante XII Semana da Poesia. A poeta Cláudia Gonçalves, coordenadora do Proyecto Cultural Sur/Brasil (Projeto Livro na Escola) juntamente com a presidenta da CAPOCAM, Erotildes Citrini, o vice-presidente Onélio Lopes Chagas e a artesã Guel Fernandes, esteve em duas escolas na zona rural: Rui Barbosa e 15 de Novembro, e três na área urbana: Mahatma Gandhi, Marina de Godoy Netto e Ana Tomázia Ribeiro. Conforme a ativista, a iniciativa que contou com o apoio do Congresso Brasileiro de Poesia e da Editora Alcance deve ter continuidade, e durante o ano outras escolas também receberão doações. O objetivo do projeto não é somente entregar livros. Em todos os educandários houve uma integração com alunos, professores e diretores, que participaram de uma roda de poesia. Neste sentido o papel da Secretaria Municipal de Educação foi fundamental preparando as escolas para receber os poetas. Segundo Cláudia, todas as escolas visitadas demonstraram que a leitura está sendo trabalhada em sala de aula, e citou como exemplo a escola municipal Rui Barbosa, que este ano realiza seu 5º recital de poesia. ”Foi um presente atuar neste projeto com a CAPOCAM. Percebi que esta entidade está preocupada com a cultura coletiva, e não na promoção individual de seus autores. Em Camaquã se cultiva poesia”, ponderou.
Fernando Pessoa: Alguém melhor que Ele mesmo
Brasigóis Felício
“A constituição do seu espírito condenara-o a todos os anseios. A do seu destino, abandoná-los todos”. A aparente oposição entre destino e espírito em uma só pessoa é um truque ou recurso estilístico inerentes à personalidade pluriforme de Fernando Pessoa. Tal frase está entre os papéis guardados no baú do grande poeta lusitano – assinado por Bernardo Soares, um de seus semi-heterônimos, tem trechos em que o escrevente entra em litígio direto com Fernando Pessoa-Ele mesmo. Falarei disto mais adiante.
Antes, atenho-me a tecer considerações sobre este abandonar-se do destino que lhe coube (Bernardo Soares, ou Pessoa?) deveu-se ao desassossego de viver, que parece ter sido inerente aos dois. Isto Fernando Pessoa Ele mesmo já declarava, em sua estética da abdicação: “conformar-se é submeter-se e vencer é conformar-se, ser vencido. Por isto tora vitória é uma grosseria. Vence quem nunca consegue. Só é forte quem desanima sempre. O melhor e o mais púrpura é abdicar”.
Estranhamente (mas não para Fernando Pessoa) estas reflexões vão na contra mão dos livros de auto ajuda, que tanto bebem, rebuscam e até mesmo manipulam e distorcem as palavras do poeta, a ponto de as tornarem lacrimosas ou simplesmente ridículas. Crime de lesa-autor de que também são vítimas freqüentes Carlos Drummond de Andrade e Mário Quintana, de quem se vê na internet, em PPS melodramáticos, risíveis e até mesmo caricatos – diante dos quais nossos aclamados bardos cometeriam suicídio – se é que não estão a imprecar e deblaterar, do lugar (penso que bom) para onde foram (?) suas almas ímpias, porém piedosas.
Palavras estas, inscritas no Livro do Desassossego, do semi-herterônimo Bernardo Soares, que se contrapõem às de Fernando Pessoa-Ele Mesmo, ao se pronunciar sobre o sentido (ou ausência de) do fazer que, se não resultou em dinheiro, garantiu-lhe glória póstuma. Pois Pessoa assim via o sentido de ser poeta, neste grande e estranho mundo, em que tudo é comprado e vendido, e tem valor assegurado, menos as palavras dos alquimistas do Verbo: “Cumpri, com meu dever, o meu destino ao mundo. Inutilmente? Não, porque o cumpri”.
Aqui Fernando Pessoa-Ele mesmo entra em contradição com o que afirma Bernardo Soares. Se para este “só é forte quem desanima sempre”, e o “melhor é abdicar”, tanto de espírito quanto do próprio destino, para o Outro (na verdade, seu inventor), “Tudo vale a pena/se a alma não é pequena”. E o que importa não é angariar vitórias ou sofrer derrotas, mas cumprir o destino que nos trouxe ao mundo. Talvez as palavras de Joseph Campbel, um mitólogo nosso contemporâneo (um dos mais brilhantes, por sinal) contribua para fazer avançar em síntese a polêmica (aparente oposição) na obra múltipla, ambígua e universal do vate lusitano: “Qualquer mundo é um mundo vivo, e o que importa é trazê-lo (você) de volta à vida. E a forma de fazer isso é descobrir, no seu caso pessoal, onde está a sua vida, e viver”.
“Ver, sentir, lembrar, esquecer”. Em desolada solidão de só viver de mundos mortos, fazemos do existir uma paralisia ativa – uma canção sem vida, por nunca ser percebida. Ao reler O livro do desassossego, meu livro de cabeceira, onde vou buscar lucidez e sabedoria, deparei-me com outra contradição (se é que um poeta, sendo vasto como Ele, não tem direito a contradizer-se, uma vez que sua alma antiga contém multidões).
Em ver com desconfiança o rigor mortis em que se mascaram os reformados (em sua maioria, cadáveres ativistas) Fernando Pessoa pensava como Krishnamurt, filósofo e místico que ele deve ter conhecido, uma vez que Pessoa era teósofo, tendo traduzido quase todas as obras de Anie Besant, que presidiu a Sociedade Teósofica Internacional. Está no Livro do Desassossego: “Se há uma coisa que odeio, é um reformador. Um reformador é um homem que vê os males superficiais do mundo e se propõe a curá-los, agravando os fundamentais. O médico tenta adaptar o doente ao corpo são. Mas nós não sabemos o que é corpo são e o que doente em nossa vida social. E, mais adiante, Pessoa, em estado de Bernardo Soares, verbera: “ O Governo assenta em duas coisas: refrear e enganar. O mal desses termos lantejoulados é que nem refreiam nem enganam. Embebedam, quando muito, e isto é outra cousa”.
Embora fosse Fernando Pessoa-Ele mesmo sabidamente um estudioso de ocultismo, o que está mais que revelado em sua poesia (vide apresentação de Nelly Novaes Coelho à edição de sua obra completa, pela Aguilar Editora). praticante de alta magia e fazedor de mapas astrológicos (para os outros e para si mesmo), utilizando o semi-heterônimo Bernardo Soares, o pluri-vate lusitano é taxativo em condenar o mau estilo dos mestres de sabedoria antiga que conhecia e amava.
Antes de transcrever o seu texto, comente-se: tão cioso era o poeta de seguir o que dizia o mapa astrológico que ele mesmo fazia para cada situação de sua vida, que chegou a desmarcar um encontro com a poetisa brasileira Cecília Meirelles, que ia conhecer, no hotel em que ela se achava hospedada. Ao descer, na hora combinada, Cecília, nossa excelsa e etérea poetisa, também versada em misticismo, encontrou um bilhete que lhe mandara Pessoa. Desculpava-se, não iria ao encontro, pois seu mapa astrológico lhe dizia não lhe dava bons prognósticos. Assim, por simples implicância dos astros, nossa diáfana e excelente poetisa viu-se privada de conhecer o bardo múltiplo incomum, capaz de ser muitos Nele mesmo.
Mas vamos ao protesto do poeta contra o mau estilo dos bruxos desencarnados: ‘O que sobretudo me impressiona, nesses mestres e sabedores do invisível é que, quando escrevem para nos sugerir ou contar seus mistérios, escrevem todos mal. Ofende-me o entendimento que um homem seja capaz de dominar o Diabo e não seja capaz de dominar a língua portuguesa. Por que há o comércio com os demônios de ser mais fácil que o comércio com a gramática? Quem, através de longos exercícios de atenção e de vontade, consegue, conforme diz, ter visões astrais, por que não pode, com menor dispêndio de uma e de outra, ter a visão da sintaxe? Que há no Dogma e no Ritual da Alta Magia que impida alguém de escrever – já não digo com clareza, pois pode ser que a obscuridade seja da lei oculta-, mas ao menos com elegância e fluidez, pois no abstruso as pode haver? Por que há de desgastar-se toda energia da alma no estudo da linguagem dos deuses, e não há de sobrar um reles com que se estude a cor e o ritmo da linguagem dos homens?”.
P.S. Como Pessoa era plural, muitos em um, podia dar-se à pachorra de entrar em debate até consigo mesmo. Direito assegurado a quem com plena consciência e direito, escreveu sobre si mesmo: “Existe em mim alguém melhor do que eu”.
* Brasigóis Felício é autor de diversos livros e um dos mais destacados poetas goianos da atualidade
NA ESCOLA MUNICIPAL FENAVINHO, DE BENTO GONÇALVES, TODA TERÇA-FEIRA É DIA DE POESIA
Não é novidade para o mundo das letras que a cidade de Bento Gonçalves tem o maior índice de leitores de poesia de todo o país, fruto de inúmeras iniciativas criadas pelas escolas a partir da realização de eventos do porte do Congresso Brasileiro de Poesia e da Feira Municipal do Livro. Nesta época do ano, quando a cidade se prepara para a realização de mais uma Feira do Livro, quarenta escolas desenvolvem atividades envolvendo alunos e escritores, sendo que a poesia predomina na maioria delas. Na Escola Municipal Fenavinho, com o objetivo de atrair as crianças para a leitura, foi criado o projeto “Gente que lê”, totalmente focado na poesia, onde o texto que tem como características a expressão de sentimentos, rimas e, muitas vezes, o humor, servirá como meio para transformar a prática da leitura num hábito. A partir do slogan “Toda terça tem poesia”, a escola instituiu o dia da semana para a realização de atividades. Nesta semana, o poeta enfocado foi José Paulo Paes, com o poema “Convite”, e as professoras vestiram-se de palhaços, representando a alegria, para dramatizar as várias formas em que a poesia pode se apresentar e o quanto ela pode divertir. “A poesia é especial porque através dela podemos trabalhar os sentimentos e expressar emoções. Tem o objetivo de encantar, alegrar e transformar sentimentos em palavras”, afirma a Supervisora da escola, Professora Silvia Fernanda Di Bernardo, informando que no decorrer do ano os alunos trabalharão também com contos e histórias infantis.
Foto: Fabiano Mazzotti
MENINAS QUE CRIARAM BIBLIOTECA COMUNITÁRIA SERÃO HOMENAGEADAS NA FEIRA DO LIVRO DE BENTO GONÇALVES
Durante a cerimônia de lançamento da 23ª FEIRA DO LIVRO DE BENTO GONÇALVES, realizada na noite de ontem nas dependências da Fundação Casa das Artes, a direção da Biblioteca Pública Castro Alves anunciou que as estudantes EMANUELE MARCON e THAINÁ TAVARES, ambas com dez anos, foram as escolhidas para receberem o troféu ADYLES ROS DE SOUZA, introduzido neste ano para homenagear o AMIGO DO LIVRO. EMANUELE e THAINÁ são moradoras do Bairro Universitário e decidiram criar uma biblioteca comunitária no porão da casa de uma delas, a qual batizaram de BIBLIOTECA MARIO QUINTANA. Reuniram os livros que tinham para começar o acervo e foram a campo: bateram de casa em casa do bairro pedindo doações de livros e comunicando que a Biblioteca estava à disposição de todos os moradores para o empréstimo gratuito de livros. O acervo começou a crescer e hoje já passa dos mil volumes. Atraído por uma reportagem publicada pelo jornal Gazeta, o presidente do Proyecto Cultural Sur/Brasil, Ademir Antonio Bacca, indicou o nome das meninas para concorrerem ao título de “Amigo do Livro/2008”, o qual foi acompanhado por outras pessoas que viram no gesto das meninas um grande incentivo à leitura. Durante a solenidade de lançamento da 23ª Feira do Livrode Bento Gonçalves, o prefeito Alcindo Gabrielli e Ademir Antonio Bacca fizeram a entrega de kits de livros oferecidos pelo Congresso Brasileiro de Poesia e pela Editora Paulus às pequenas amigas do livro, conforme registro acima do fotógrafo Fabiano Mazzotti. Agora, o Congresso Brasileiro de Poesia conclama a todos os escritores para que enviem suas colaborações para enriquecer o acervo da Biblioteca Mario Quintana, para o seguinte endereço:
Rua Ferrucio Fasolo, 141 Bairro Universitário BENTO GONÇALVES – RS 95700-000
XVI CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA VAI HOMENAGEAR 120 ANOS DE FERNANDO PESSOA
A coordenação do CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA, em sua décima-sexta edição, definiu os homenageados deste ano: Portugal e os cento e vinte anos de nascimento do poeta Fernando Pessoa. Parceria neste sentido foi firmada entre o Proyecto Cultural Sur/Brasil, Prefeitura Municipal de Bento Gonçalves, Instituto Cultural Português e Consulado de Portugal no Rio Grande do Sul, em encontro recentemente realizado na capital do Estado. Na oportunidade, o cônsul Dr. Pedro Coelho recebeu o prefeito em exercício de Bento Gonçalves, Jaury da Silveira Peixotto e o coordenador-geral do evento, Ademir Antonio Bacca, ciceroneados pelo presidente do Instituto Cultural Português, António Soares. Durante o encontro, que também contou com a participação da Diretora Cultural do ICP, Santa Inéze da Rocha, e da Secretária do Congresso, Maria Clara Segóbia, foi apresentada a proposta de homenagem por parte do município de Bento Gonçalves ao poeta maior da língua portuguesa, que recebeu entusiasmada adesão do representante diplomático português no estado gaúcho. Ficou acertado já no primeiro encontro que, através do Instituto Cultural Português, serão realizadas diversas atividades culturais alusivas a Fernando Pessoa e também à literatura portuguesa na cidade de Bento Gonçalves já a partir do mês de maio, durante a realização da Feira do Livro, atividades estas preparatórias ao Congresso Brasileiro de Poesia, que será realizado entre os dias 6 e 11 de outubro vindouro. O consulado intermediará a vinda de poetas portugueses ao evento, que é considerado o maior encontro de poetas realizado no Brasil e um dos três mais importantes de toda as Américas.
Eunice Pigozzo, Ademir Bacca, Emira Dendena, Moisés Scussel Neto e Jaury Peixotto
CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA ENTREGA
ANTOLOGIAS PARA ESCOLAS
O Proyecto Cultural Sur/Brasil encerrou oficialmente as atividades do XV CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA com a entrega de 2.500 exemplares de antologias publicadas às escolas de Bento Gonçalves. O ato aconteceu na manhã desta quarta-feira nas dependências da Biblioteca Pública Castro Alves e contou com a presença do prefeito em exercício Jaury da Silveira Peixotto, da presidente da Fundação Casa das Artes, Emira Treméa Dendenda, do Secretário Municipal de Governo, Moisés Scussel Neto, da Diretora da Biblioteca, Eunice Pigozzo e do presidente do Proyecto Cultural Sur/Brasil, Ademir Antonio Bacca. Na oportunidade foram entregues 700 exemplares de cada um dos volumes 5 e 6 da Antologia "Poesia do Brasil", 500 exemplares da Antologia "Poetas do Café e Pássaros-Poetas", além de 200 exemplares da antologia "Contos Mínimos, Idéias Máximas" e mais 400 exemplares de volumes de publicações da edição anterior do evento, que ainda estavam em poder dos organizadores. Na oportunidade, o prefeito em exercício destacou a importância do projeto "Poesia na Escola" que é desenvolvido pelo CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA, afirmando que esta nova doação de livros será de grande valia para que os estudantes de Bento Gonçalves possam conhecer a obra dos poetas que costumam participar do encontro que é realizado anualmente em nossa cidade. Caberá agora à Biblioteca Castro Alves coordenar a distribuição dos exemplares para todas as escolas do município, inclusive as da rede particular. O presidente do Proyecto Cultural Sur, coordenador geral do Congresso Brasileiro de Poesia, anunciou que foram reservados ainda 150 exemplares de cada uma das publicações para serem distribuídos durante o lançamento oficial da Feira do Livro de 2008, que deve ocorrer no início do próximo ano. Ao todo, desde o lançamento oficial durante o XV Congresso Brasileiro de Poesia, 2.800 exemplares das três antologias foram distribuídos gratuitamente, devendo atingir um universo de mais de 25 mil leitores.
António Soares, Jaury Peixotto, Pedro Coelho, Santa Inéze, Ademir Bacca e Maria Clara Segóbia
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