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DILMA É LULA DE NOVO PT, 30 ANOS - Brasil

03/02/2010

DILMA É LULA DE NOVO - PT, 30 ANOS - Brasil

Escrito e adaptado por Eliezer Gomes*

Estávamos vivendo dias de avanços políticos, de esperanças renovadas, de mobilizações populares, de reencontros entre entes queridos, separados um dia pela truculência maldita dos que tinham nojo da democracia, dos que na calada da noite tentavam calar de qualquer modo aqueles que não se sentiam dignos de silenciar diante de uma situação inaceitável de opressão, humilhação e desmandos. Na realidade, o país vivia um momento de expectativas. O acúmulo da caminhada de lutas do povo brasileiro se robustecia dia após dia, a juventude brasileira amadurecia, apesar dos “garrotes” e da massificação de uma ideologia alienante. A classe operária, os trabalhadores brasileiros, as donas de casa, as igrejas, os organismos democráticos criados em plena ditadura à custa de prisões, exílios, desaparecimentos e mortes, marcavam presença no enfrentamento que buscava avidamente o fim da exceção. O mundo já não estava tão indiferente, apesar da força do imperialismo norte-americano, principal patrono da ditadura brasileira. Vivíamos no arrebol dos anos 70 e, mesmo vislumbrando uma pequena luz no fim do túnel, sabíamos que o percurso era ainda bastante longo e complicado. Foram anos de desmonte e dureza, de medo e escuridão, mas também de resistência de perseverança, de lutas! E essa caminhada valeu à pena, puxa vida, como valeu! Valeu porque foi diante da dor, da amargura, da saudade, das lágrimas (quantas lágrimas), das vidas que se foram (valiosos companheiros e companheiras, se foram), dos devaneios terríveis que ficaram como herança nas mentes de outros que sobreviveram, que ocupamos o espaço histórico que nos deu condições de construir um instrumento que pudesse ajudar na construção de um “amanhã” realmente mais justo, mais humano. É dentro dessa conjuntura política e social que presenciamos, inclusive, como co-autores, a construção e afirmação daquele que já pode ser chamada de o maior “fenômeno político” da América Latina. Falamos do Partido dos Trabalhadores – PT, nascido no chamado ABC paulista, berço do sindicalismo combativo liderado por Lula, e que aos poucos, de uma maneira crescente e consistente ramifica-se pelo país inteiro, canalizando e dando expansão à luta de todos os trabalhadores e excluídos desse imenso país. O PT traz consigo, desde o início, a responsabilidade de realizar concretamente o sonho de milhões de pessoas ávidas por justiça social, por ética, por democracia, pelo combate efetivo à corrupção, pela independência em relação as demais nações do mundo e, em especial, pela construção de uma sociedade nova baseada no bem estar e desenvolvimento do seu povo. Na condição de fundador do PT, quero, nesse instante, em que o mesmo completa 30 anos de existência (salve 10 de fevereiro), declarar a minha satisfação por vê-lo firme, forte e vencedor. É verdade que não existe a possibilidade da perfeição entre nós, até mesmo por que a perfeição é requisito destinado apenas a Deus, mas podemos dizer, sem medo de errar, que a política no Brasil se divide em dois tempos: Antes do PT, e depois do PT. Com o surgimento e consolidação do PT, a sociedade passou a experimentar métodos diferentes de fazer política, nos quais o princípio da democracia também assumiu a tarefa de construir a cidadania na discussão e na disputa política, não interessando para o coletivo as condições de privilégios do agente político inserido no meio. Não mais interessaria saber a condição social e econômica, mas sim o respeito ao direito inalienável à cidadania. Outro fator fortíssimo do novo tempo é a ética definitivamente introduzida na política, por obra do PT, com administrações municipais e estaduais, e agora em nível federal, onde o povo é levado em conta, onde as questões importantes são tratadas de maneira aberta e transparente (mesmo que o corte tenha que ser na própria carne quando necessário for) e, finalmente, onde o patrimônio público é respeitado, administrado sempre em função de atender as prioridades do país e, conseqüentemente, de seus compatriotas. Temos mil e uma razões para comemorarmos a passagem dos 30 anos do PT: a participação popular nas discussões e decisões políticas, sociais e econômicas, as grandes mobilizações que desaguaram em grandes conquistas, o modo petista de governar/administrar, o Bolsa família (revolução na distribuição de renda), a corrupção sendo enfrentada de frente, o equilíbrio econômico, os inegáveis avanços sociais que apontam para um futuro mais tranqüilo, o respeito internacional, enfim, teríamos uma infinidade de argumentos para declarar que valeu a pena não ter medo de ser feliz. Quero concluir com saudades, lembrando-me dos momentos primeiros de construção do nosso partido aqui na Paraíba. Foram momentos de muitas dificuldades, preconceitos e incertezas, mas de um sabor sem igual, e para mim em especial, pelo fato de ter tido o privilégio, de ainda muito jovem, ter sido um “carregador de pedras” na primeira hora da construção partidária, numa época em que para ser petista era necessário ter ideologia, coragem e abnegação. Tempos difíceis realmente, de truculência e maldades, mas, propício ao bom combate por uma causa mais que justa. Muito me honrou a oportunidade de exercer o cargo de primeiro presidente do PT em nosso estado. Naquela época éramos chamados de malucos e baderneiros, mas a coragem e a perseverança de muitos que seguiram em frente, nos fizeram vencedores. Como foram muitos, e não teríamos condições de citá-los um a um, homenageamos simbolicamente a todos, nas pessoas de quatro companheiros da primeira hora: A valorosa Elisa Mineiros, companheira combativa e consciente do seu papel histórico. Teve uma participação importantíssima no meio acadêmico, entre as mulheres e entre os  operários. Lamentavelmente a guerreira Elisa não veste mais a nossa camisa, milita em outro agrupamento, mas, a sua história merece de todos nós o devido respeito e admiração; Pedro Gomes, de saudosa memória: Companheiro abnegado no dia-a-dia da construção partidária, foi responsável pela vinda ao nosso partido de vários companheiros da área da saúde, na qual atuava como médico. O companheiro não teve a oportunidade de ver realizado o seu maior sonho: Lula Presidente do Brasil! Maria José, operária do setor têxtil, de importância imensurável pela consciência política e compromisso para com os trabalhadores. Sua presença e atuação na construção do PT são inesquecíveis. Derly Pereira, outro grande companheiro, já vindo de outras batalhas, atingido fortemente pelo regime de exceção, inclusive com seus direitos políticos e civis cassados. Integrou-se de corpo e alma à construção do PT, e hoje, mesmo estando afastado, encontra-se com certeza no coração de todos nós que vivenciamos aquele período.
Passados os atuais 30 anos precisamos manter acesa essa chama; precisamos não deixar que haja retrocesso e que o projeto instalado no Brasil em janeiro de 2002 com a ascensão do operário metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva seja levado adiante pelas forças progressistas desse país, sob a liderança de Dilma Rousseff que herda do presidente Lula o que há de mais importante num governante: a capacidade de desenvolver justiça social.

Viva o PT – Dilma é Lula de novo


* Sindicalista e primeiro presidente do PT na Paraíba


Comentários

Amigo Eliezer - Dilma é Lula de novo. Cara que slogam arretado. Já apresentasse ao partido?

Oi Roberto, já enviei, sim. Estou aguardando avaliação.