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PEDRO PAULO MATTOS - “No fio da Navalha” – Blade Runner.

25/04/2010

Blade Runner – O Caçador de Andróides, filme dirigido por Ridley Scott em 1986 é, possivelmente, o primeiro filme do gênero ficção científica a discutir de maneira aberta o que é ser “humano”, ou melhor, o que não é “ser humano” nos seus aspectos, o que é existir, o que é morrer.

Aviso que é um filme atípico, uma prova disso é que dele foram feitas três versões (utilizando as cenas produzidas no primeiro filme, a partir de “novos” arranjos), onde cada mostra uma verdade diferente sobre o significado existência e sobre as relações entre humanos x replicantes.

O filme é ambientado numa Los Angeles (EUA) futurista, mais precisamente na data de 2019. A humanidade passava por um momento de transição, nova era, renascimento, onde os humanos tiveram de abandonar a Terra por questões climática/ambientais, buscando moradia em outros planetas. No Planeta Terra ainda sobrevivem alguns humanos, mas quase que em sua exclusividade, pessoas que não foram admitidas a participarem da “exploração espacial”. O homem deixa então de ser um ser terrestre e torna-se um verdadeiro explorador do universo, usando para tanto, como sua ferramenta exploratória, um novo instrumento criado pela genética, o “Replicante”, que nada mais é do que uma réplica “superlativa” do ser humano.

Os replicantes, detentores de grande força, aguçados instintos, dotados de um intelecto normalmente genial, e fisionomicamente idênticos aos seus criadores, transformam-se em verdadeiro perigo para a sociedade em função de suas virtudes descomunais, sendo relegados a um exílio da Terra e à morte datada. No espaço eram os trabalhadores, guerreiros, protetores e prostitutas de que carecia a humanidade em sua nova empreitada, explorando e conquistando as margens mais longínquas do Universo. Com relação à morte, a prematura, eram eles criados com o destino traçado, possuíam uma “bomba-relógio” genética
 esperando, somente, a “corda” terminar.

Ao replicante não era concedida nenhuma fé humana, era máquina, entretanto, padecia de uma ânsia descomunal de viver experiências humanas, o que os tornavam ainda mais temíveis, pois, além dos caracteres físicos desproporcionais, a eles também era possível uma vida metafísica, espiritual, saber sobre a sua existência, vivenciar sentimentos. Entram num outro plano quando, ao perceberem que estão fadados a uma morte certa, invadem uma nave humana, atitude inesperada, matam mais de 20 pessoas e dirigem-se a Terra, em busca de viver mais, não só por motivos instintivos, mas sim por terem história, a sua história, a sua busca pela humanidade plena, ou seja, viver.

O grande barato deste filme é o de perceber que ser “humano” é, na visão do autor, a mistura de vivência e capacidade, não importando a veracidade das lembranças, e que, mesmo os replicantes se atrapalhando com os aspectos emocionais do “ser”, de ferramentas tornaram-se pretendentes da humanidade. Prova disso? Todos os personagens replicantes!

Deckard, o protagonista, interpretado por Harrison Ford, na segunda versão do filme surge como ora humano, ora replicante (sendo revelada a sua verdade na última cena do filme) demonstra várias das “facetas” humanas, é um alcoólatra que pouco se importa com a sua miserável vida, existe algo mais humano do que isso?

Roy Batty, interpretado por Rudger Hauer, líder dos replicantes “NEXUS 6” (mais aperfeiçoada geração de Replicantes) rebeldes, teve a dor de saber de sua morte certa demonstrada a cara respiração, a incerteza acerca do próximo fôlego chega a ser desconfortante, em virtude da agonia com que vivia. Sabia que estava fadado à morte, mas mesmo assim quis viver o pouco que lhe restava empenhado a mostrar que era humano, não por invejar os humanos, mas sim para demonstrar que existiu; que ele era; que ele tinha história. Essa busca foi de forma semelhante vivida pelos outros replicantes do filme, cada um encarando a morte certa de uma forma diferente: medo, raiva, indiferença, carpe diem...

Blade Runner pode não ser um filme para assistir com seu namorado, filhos, esposa, amigos, por vezes, mas indico-o para aqueles momentos em que você almeja algo a mais, muito simples, quer algo diferente, assista Blade Runner, sendo aos olhos sensíveis um aprendizado de si mesmo, do outro.

“Eu vi coisas que vocês humanos nunca acreditariam. Ataquei naves em chamas nas bordas de Orion. Observei Raios-C brilharem na escuridão dos ares dos Portões de Tannhauser. Todos estes momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva: hora de morrer. Fala final do replicante Roy (Rutger Hauer) em "Blade Runner - O Caçador de Andróides

Cena acima:

http://www.youtube.com/watch?v=chIP3AvqLDo&feature=player_embedded

 

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