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Meu querido Pombal! Por Paulo Abrantes de Oliveira*

28/02/2011

                 A morte de Dona Cessa nos pegou de surpresa! Ouvem-se gritos de dor e de espanto com a morte da mais querida poetisa de Pombal, Maria do Bonsucesso de Lacerda Fernandes, ou Cessa Lacerda. É Pombal que soluça mergulhada no seu pranto! Os sons das saudades crescem! Os pássaros emudecem no seu silêncio profundo! Está de luto a poesia, porque Cessa renuncia as ilusões deste mundo, deixando para trás seus amigos, conterrâneos e familiares. Professora extraordinária, oradora grandiosa e poetisa fenomenal no improviso de repentes poéticos, líricos nas ocasiões festivas de nossa cidade, sobretudo na Academia de Letras de Pombal, onde era Presidenta, era lá, que ela encantava seus membros transmitindo alegria, emoção e beleza vindas da alma, nascidos aos sons dos aplausos de seus versos improvisados. É sábado, o céu está tristonho nas asas dos versos, parte a poetisa para sempre buscando a casa de Deus! Irá viver entre arcanjos, versejar para os anjos, lançar das rimas sementes e espalhar na eternidade a sublime claridade do fogo de sua poesia. Enquanto Pombal chora sua inesperada partida lembrando a morte da estrela que iluminava o nosso sertão! Seus alunos e poetas estão unidos, pesarosos, compungidos, irmanados, dão-se ás mãos á luz da fraternidade, para um culto de saudade à maior de suas irmãs!

                Adeus, Dona Cessa, Deus te guie na tua eterna morada! A minha terra que é tua, vive saudosa enlutada lamentando o tempo inteiro a morte de sua poetisa, da professora genial, pura, incomum! Fizestes amizades por toda parte, por residências que guardam reminiscências dos fulgores, dos lampejos, do gorgeio extraordinário dos blogs que escrevestes, do de Clemildo o preferido, destes show de inteligência, levastes muitas lições de amor e humildade! Sempre deixavas o rastro de seu talento, era de sublime inspiração, de segurança, firmeza, davas lições de beleza com a caneta na mão. Tu te lembras Cessa, poetisa, quando eu li na Assembléia Legislativa, o seu discurso encantador saudando Clemildo, e o nosso povo aplaudiu a beleza da tua poesia em lírica prosa?  Agora, Cessa, o silêncio para sempre te envolveu na travessia da vida, a morte te surpreendeu do teu modesto universo feito de rimas poéticas rasgando o brumoso véu, para rompendo os espaços com a caneta na mão, recitar versos no céu! Enquanto feliz adentras a Mansão Celestial, a solidão toma conta da tua terra natal! Pombal está chorando! Receba Dona Cessa, esta mensagem derradeira da saudade de teu povo, que na dor da despedida deseja que se lembre de rogar por  nós quando estiveres nos braços de Deus! Agora longe de nós e dos teus, de seu esposo Bibia, de seus filhos, Junior, Francimar, Tim, Rominho e Candinha, tu só recitas para Deus na sala da eternidade! Na certeza de que um dia nos encontraremos por lá!

 

Nos acostamos integralmente à crônica do amigo Dr. Paulo Abrantes.

www.eliezergomes.com

*Paulo Abrantes de Oliveira é servidor público federal, lotado no Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transporte, antigo DNER. Filho de Augusto Gervásio de Oliveira e Doralice Abrantes de Oliveira, nasceu em Pombal há 56 anos. Seu primeiro livro, “Fazenda Gado Bravo”, obra em prosas e versos, com 161 páginas, foi prefaciado pelo ex-secretário estadual de infra-estrutura Carlos Pereira e teve a apresentação do conterrâneo Jerdivan Nóbrega de Araújo