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Filosofia no Ensino Médio

03/05/2011

Carlos André Abreu¹
Resumo:
 
A pesquisa em questão traz um apanhado histórico sobre a importância do papel da filosofia na formação da sociedade e na ação escolar dos professores através do instrumento da linguagem.  A investigação tenta mostrar o pioneirismo das instituições, desde as primeiras leis constitucionais até o ápice da promulgação da lei e obrigatoriedade em 2008 quando os números mostram a real necessidade de investir na formação de novos professores.
 
Palavras chave: Filosofia. Professores, Pioneirismo.
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                  Atrair os jovens discentes para um olhar crítico sobre o mundo em que vivem, não é uma tarefa fácil e, se torna um enorme desafio quando os objetivos para este fim não são traçados de maneira clara e concisa. A respeito disso, iniciamos dando realce a importância da linguagem que, de maneira direcionada, torna-se importante quando se sabe onde e como quer chegar, para o que se quer e o que se deseja. Paulo Freire afirmava “A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente”.
                  Está nas mãos dos professores a missão de tornar “o duvidoso claro, como entendia René descartes. Para isso, o professor precisa dominar o conteúdo, saindo da periferia, penetrando na essência (...)”.
                  Olhando para a contextualização histórica legal sobre o Ensino da Filosofia no Brasil, houve em 1961 através da Lei nº 4.024/61 uma desobrigação do ensino da filosofia em todo território nacional, dez anos depois passa a ser excluída do Currículo Escolar Oficial em 1971 (Lei nº5.692/71) a ________________________
¹Graduado em Filosofia (Bacharel e Licenciado), Especializando em literatura e Ensino, Mestrando no Programa de Pósgraduação em Educação nas Ciências – UTIC – Universidad Tecnológica Intercontinental. E-mail:candrabreu@gmail.com.
 
disciplina de Filosofia, permanecendo apenas em algumas escolas da chamada elite brasileira (escolas particulares), isso fez com que disciplina de Filosofia, permanecendo apenas em algumas escolas da houvesse, ao longo da história, uma desaceleração nas demandas nos cursos de Graduação em Filosofia, fazendo com que o próprio curso ficasse restrito a uma visão de insignificância prática, cuja sociedade julgava até mesmo desconhecer sua importância epistemológica. Passado o tempo, notabilizaram-se a luta das entidades representativas da Filosofia e da Sociologia, bem como, o interesse de outros segmentos educacionais no país, cabendo aqui um destaque livre de reconhecimento meritório a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Que pioneiramente reconheceu, com relevância, como componente curricular obrigatório para formação plena do estudante:
 
 
Em 1994 a UFU promoveu um fórum avaliativo de seu vestibular [...].Durante o desenrolar desse fórum muitos participantes desistiram [...]. Durante a realização do fórum do vestibular foi elaborado um documento sobre cada uma das disciplinas que deveria ser incluídas no exame, o que se espera de cada uma delas. Em janeiro de 1997 a Universidade Federal de Uberlândia realizou seu primeiro vestibular com as novas disciplinas: Sociologia, Filosofia e Literatura. Essa inclusão significou a vitória de mais uma batalha, principalmente porque as provas da primeira e segunda fases têm o mesmo número de questões das demais disciplinas, com o mesmo valor, sem discriminação (Guimarães, 2004, p.193).
 
 
                   Diante do farto material que se encontravam à disposição dos interessados na implantação da disciplina Filosofia no ensino médio, cabe relatar o que dizia o texto literal do Artigo 36 da Lei 9.394/96, Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional de 1996: § 1º Os conteúdos, as metodologias e as formas de avaliação serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre: domínio dos conhecimentos de Filosofia e de Sociologia necessários ao exercício da cidadania. Assim o aluno egresso do ensino médio estaria apto a participar da sociedade com a consciência de cidadão.
                   A inexistência da obrigatoriedade da Filosofia e Sociologia, como disciplinas, no ensino médio, fez com que o Conselho Nacional de Educação (CNE), juntamente com o Ministério da Educação e Cultura (MEC) e entidades representativas interessadas no assunto acatassem a proposta pela obrigatoriedade das citadas disciplinas na grade curricular do ensino médio, revogando o inciso III do § 1o do art. 36 da Lei no 9.394/96, alterando-o e promulgando o atual texto no inciso IV – “serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio”; alterado pela Lei 11.684/08. Essa atitude legal fez com que se abrisse um leque de oportunidades aos profissionais dessas duas disciplinas, no entanto, vale salientar que em descompasso dessa decisão notificou-se a carência de qualificação dos aspirantes as referidas áreas. Em matéria publicada no dia 04 de Maio de 2010 pelo portal G1 relatou que a Filosofia no ensino médio aumentou oferta de empregos, porém, sem perspectivas de preenchimento imediato, deixando uma lacuna enorme para as escolas resolverem a curto prazo.
 
O número impressiona: cerca de 23 mil postos de emprego para professores de filosofia estão pintando por aí em todo o país. É que uma determinação do Conselho Nacional de Educação (CNE) tornou obrigatória a oferta da disciplina de filosofia no ensino médio. A partir do próximo ano, discussões sobre ética, estética e história dos grandes filósofos devem fazer parte do cotidiano escolar (G1, 2010).
 
 
                   Para quem pretende entrar no curso de filosofia encontra uma vantagem: as universidades, cientes da nova situação, estão se preparando para oferecer melhores cursos a quem quer se licenciar. Vale lembrar que há dois tipos de formação a do bacharel, que se torna pesquisador, crítico cultural, assessor político; e a do professor na educação básica, é aquele que faz licenciatura plena.
                  Colocar a Filosofia no patamar de relevância de outrora deu, a nosso ver, um sinal de valor e reconhecimento. Porém, é de suma importância citarmos as palavras do então senhor Ministro da Educação Fernando Haddad quando referiu-se a reintrodução da Filosofia: “Estamos reintroduzindo o ensino crítico e oferecendo aos jovens a possibilidade de entender melhor o mundo em que vivem”.
                   A preocupação de ensinar aos jovens a filosofia remonta à Grécia antiga, quando Sócrates iniciava a sua caminhada para adentrar no interior do homem, deixando de lado as especulações a respeito do firmamento, como faziam seus antecessores chamados de pressocráticos.
 
 
No Mênon, a questão tratada é a natureza de virtude e se esta pode ser ensinada. Sócrates sustentava que a virtude não pode ser ensinada, consistindo em algo que trazemos desde o nosso nascimento, que pertence a nossa natureza. Trata-se de uma defesa do inatismo, concepção segundo a qual temos em nós um conhecimento inato, que, entretanto, se encontra obscurecido ou esquecido desde o momento em que a alma se encarnou no corpo. O papel da filosofia é fazer-nos recordar esse conhecimento, [...] doutrina platônica da reminiscência ou lembrança (Marcondes, 2007, p.32).
 
 
                  O problema central do ensino da filosofia foi sempre a questão de como despertar os alunos para uma atitude reflexiva. Os diversos métodos empregues pelos professores são no fundo, o expediente julgado adequado para atingir este objetivo. Daí há a real necessidade de ir expondo sempre que possível exemplos do cotidiano, lançando perguntas e deixando ele -aluno- formular suas próprias observações
 
 
 
Referências bibliográficas
 
FREIRE, Paulo. A Importância do Ato de Ler. São Paulo: Cortez Editora, 2006.
 
MARCONDES, Danilo. Textos Básicos de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2007.
 
PARAÌBA, Secretaria de Estado da Educação e Cultura. Coordenadoria de Ensino Médio da Paraíba: Ciências Humanas e suas tecnologias. João Pessoa. [s.n], 200.6
 
 
SOCIOLOGIA E ENSINO EM DEBATE: experiências e discussões de sociologia no ensino médio/ Org. Lejeune Mato Grosso de Carvalho. Ijuí: Ed. Unijuí, 2004.
 
PORTAL DE NOTICIAS G1, São Paulo. 2010, disponível em:            
< http://g1.globo.com> . Acesso em 31 de março de 2011.


Comentários

A visão do ensino da Filosofia no ensino médio do prof. André Carlos é a prova real das possibilidades que a Filosofia pode causar na vida escolar. Ela digna de ser teoria e pratica na escola. Só a partir desse reconhecimento histórico e pedagógico, quanto a linguagem assim referida, poderemos sim, ser e fazer diferente na vida escolar do ensino básico. Parabéns Prof. André Carlos!!!

Belíssimo artigo do professor André, nos mostra ainda mais o quanto é importante a filosofia em nossas vidas. Como diz o texto a filosofia faz com que o aluno aprenda a questionar mais, a duvidar, enfim ser mais crítico. Que bom que nossos governantes abriram os olhos e enderam o quanto é importante a filosofia

Este artigo nos faz mostrar ainda mais o quanto a filosofia é importante para nossas vidas. Professor André está de parabéns!

Comparo o Professor André Abreu à Tales de Mileto. Mileto foi o primeiro a se pronunciar ou a apresentar a Filosofia ao mundo e o nosso André aparece como uma espécie "ressuscitador" da Filosofia.

É uma pessoa que busca o horizonte perdido, aliás, o horizonte escondido nas entranhas de uma sociedade ainda dominada por poderes que preferem o não pensar.

Ainda bem que temos os Filósofos do povo.

sou criança ainda mas gosto muito de fisolofia acompanho muito minha mãe nas aulas é muito inportante ressuciitar a fisolofia gostei muito

Bom dia a todos.
Quero Parabenizar o Professor André pela bela iniciativa, a de tratar a Filosofia com seriedade e responsabilidade. Atualmente, moro em SP, Estado que se Orgulha de ser o mais rico da america latina só que esconde que é o que apresenta o pior desenpenho quando se trata de ensino público, tanto o fundamental como o médio. Nossas escolas estão a "beira do caos" total e a nossa sociedade também. Professores são agredidos diariamente... drogas nas escolas do ESTADO DE SÃO PAULO é mais fácil encontrar doque nas "bocas" de fumo. É preciso sim apoiar o Professor André nessa luta... é o momento de união de todos que se preocupa com uma sociedade justa, mora e Ética. Para o Professor André e demais leitores deixo meu abraço.

Dedico-lhes o Pensamento do Filósofo Francis Bacon(1561-1626). "Que os homens considerem quais são os verdadeiros fins do
conhecimento e que não o procurem nem pelo prazer da mente, nem
pelo contentamento, nem pela conquista de superioridade face a outros,
nem por proveito, fama, poder ou qualquer outra dessas coisas
inferiores, mas, para benefício e uso da vida. E que o aperfeiçoem e o
dirijam com caridade".