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Regina Negreiros - A década de ouro da música brasileira versus a decadência atual da MPB

02/07/2011

A década era setenta. As músicas, de forma geral, tinham singela beleza e poesia, na música nordestina o baião e o xaxado reinava com explendor. Era uma boa década pra se nascer e eu nasci num ato de epifania, como todo homem, que nasce do Divino. Cresci embalada ao som de inesquecíveis canções, em todos os gêneros musicais, graças a Deus.

          Não existia pancadão, funk das cachorras, nem forró na casa das primas, nem ninguem deixava a casa pra morar num cabaré. Existia música, poesia.... Pérolas como Gonzagão, Gonzaguinha, Genival Lacerda, Antônio Barros, Cecéu.... É bem verdade que existiam as músicas de duplo sentido no recém nascido forró, mas essas diziam "ela deu o rádio"... (sucesso na voz de Genival Lacerda). As que falavam de cachaça e mulher diziam  "enquanto ronca o fole, vou na budega e tomo um gole, o caboclo mexe, mexe, mexe, a morena boli, boli, boli" (música de Antônio Barros e Cecéu). Essas músicas e muitas outras do gênero faziam a legria do povo brasileiro, em especial do nosso bom e velho forró pé de serra, com malícia, mas sem pornografia e sem apelação. Isso não é saudosismo, é memória musical, memória cultural. Aquela que nos faz lembrar de quem somos, das nossas raízes.

         Do séulo XX ao XXI, notoriamente demos um passo atrás na nossa MPB, retrocedemos. Tenho pena das crianças  que nascem hoje, não serão musicalmente felizes como eu fui e sou por cultivar em meu coração a história cultural e musical do nosso nordeste tão rico e esquecido pelos políticos e pelo próprio povo. Mas o povo não é vilão nessa história! é coadjuvante daqueles que insistem em cultivar os baobás que mais parecem bactérias letais e que vão pouco a pouco matando nossa herança cultural, e o que é pior, nossa moral e nossa história, através de pseudo-músicas que pulsam em ritmos alucinantes e alucinógenos, de harmonia pobre e de letras que diminuem e deturpam o caráter humano.
         Não, isso não é preconceito, é um conceito formado acerca desse triste painel musical que emburrece e empobrece o homem. Um cenário onde prostituta é prima, vida boa é no cabaré, homem certo é aquele que se diverte na casa  das primas  e que toma cachaça até ficar embriagado, entre outras absurdas aberrações. E o pior é que tudo isso é imposto ao povo que tem que engolir e que já dá sinais graves de que está perdendo a sua própria referência cultural. Ai eu me pergunto, como o compositir Jorge Portugal já perguntou,  "meu Deus onde vai parar essa massa?
         Nesse cenário, me dá até saudade da lambada e do início da era do forró de plástico, que diga-se de passagem também não gosto, mas era menos ruim do que o que se ouve hoje. Estamos no fundo do poço da música brasileira! Se fosse pra escolher nascer hoje, preferiria não nascer, pois, embora saiba que "todo homem nasce grávido da morte" (Hermínio Sargentim), nascer na década de XX do século XXI é ser abortado culturalmente.
         Salve Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Gordurinha, Carmélia Alves, João Silva, João do Valle, Clara Nunes, Lindú, Cobrinha, Coroné, Antônio Barros, Cecéu, Chico César, Bastianas, Elba Ramalho, Marinês, Terezinha do Acordeon.... e tantos outros nomes que fazem a história da músca popular brasileira. Isto sim, é boa música. Diga não as drogas!
 
Regina Negreiros
Produtora cultural, graduada em filosofia e pos graduando em Gestão Publica.

83 9964-2274
83 8749-1884


Comentários

òtima sua visão sobre a conjuntura musical em nosso país. Adoro Pessoas com a cabeça boa e você tem uma visão excelente.

Beijos, Elida

Obrigada Élida. Vamos fortalecer a nossa música, nossa cultura, nossa memória.
Um abraço

òtimo relato. A nossa verdadeira musica está sendo assassinada.